MÉDICOS SEM ESPECIALIZAÇÃO SÃO PUNIDOS PELO EXERCÍCIO IMPRÓPRIO DA CIRURGIA PLÁSTICA

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina (Cremesc) publicou recentemente em seu boletim as penalidades impostas no primeiro semestre deste ano a três profissionais não especializados que exerceram a cirurgia plástica de forma inadequada – e até desastrosa. A instituição fiscalizadora da profissão de médico considerou o desrespeito aos seus acórdãos, resoluções e códigos de ética estabelecidos em âmbito federal, bem como às regras determinadas pelos órgãos públicos de saúde.
Por unanimidade de votos, Éverson Jucas de Araújo teve o diploma cassado em resposta à infração ao código de normas e posturas. Membro de uma associação de praticantes da chamada “medicina estética”, o que não é reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), ele chegou a ser detido preventivamente por homicídio doloso. Em 2008, Araújo coordenou uma lipoaspiração em uma clínica clandestina e sem recursos mínimos exigidos no bairro Kobrasol, em São José, levando à morte uma dona de casa de 44 anos. “A sociedade está a exigir médico que saiba medicina e que esteja em sintonia com a ética e a justiça”, diz a nota do Cremesc.
O otorrinolaringologista Sérgio André Bucci Fernandes, de Florianópolis, foi suspenso de suas atividades por um período de 30 dias, porque “praticou atos profissionais danosos ao paciente, realizando procedimento de caráter estético, sem possuir especialidade na área de cirurgia plástica”, conforme proferido em sessão da 1ª Câmara de julgamento do processo ético-profissional. Chancelado por aquela mesma associação de “medicina estética”, ele realizou uma operação de abdômen que resultou numa importante necrose e consequente sequela, sendo classificado como imperito. A suspensão é tida como a pena mais grave depois da cassação.
Já o ginecologista e obstetra José Antônio de Castro Pereira, que atua em Balneário Camboriú, foi submetido à censura pública em publicação oficial. O médico “não cumpriu as exigências das autoridades sanitárias, realizando procedimentos de lipoaspiração em sala clandestina, em condições técnicas e de higiene precárias e sem autorização da Vigilância Sanitária”.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de Santa Catarina (SBCP-SC), Zulmar Accioli, “o Cremesc está fazendo a sua parte no aumento da segurança em cirurgia plástica, condenando aqueles que não são especialistas e têm maus resultados, até mortes. Agora, a população tem que fazer a dela, procurando profissionais bem preparados”. Segundo ele, a entidade que representa não pode intervir nos profissionais de outras especialidades. “Nossa competência é apenas com os cirurgiões plásticos e a informação ao público”.
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